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Sunday, March 23, 2014

29 de Novembro 2012 - Primeiro dia

Primeiro dia que eu acordava na minha nova cama, na minha nova casa, no meu novo país. Eu levantei às 11:00, Dilek (minha flatmate) já havia saído para trabalhar. Era minha chance para explorar o apartamento! Que gracinha, eu estava muito aliviada em não estar morando em uma república.

Lembro que estava tão cansada e com medo de sair de casa (aquele longínquo bairro), mas esse era o momento que definiria minha estadia na Turquia. Não havia tempo para deixar de fazer algo por medo. Mais tarde "No time to waste"  viraria meu lema entre o pessoal da empresa. Decidi que iria sair, pegar o ônibus e ir para Alsancak, o bairro central, onde tem um calçadão, restaurantes, o mar e tudo que havia lido sobre Izmir. É importante entender que onde eu vivia, Çigli, era muito longe do centro (uma hora de ônibus), mas estava mais perto da empresa onde eu trabalhava.

Em Çigli vivem majoritariamente os operários das fábricas, então era uma região mais pobre e não era um lugar muito bonito, mas que tinha seu charme. Como disse em um post anterior lá era conhecida como a área dos ciganos. Há muito preconceiro contra os ciganos por lá, eu não tive nenhuma experiência negativa relacionada a isso, aliás tive o contrário, mas esse é assunto para outro post. O importante é que nosso prédio era novo, com um bom chuveiro, aquecimento central à gas, coisa que não era muito comum por lá e a minha querida flatmate turca Dilek, uma das pessoas mais amáveis que já conheci.

Tomei coragem, perguntei por email a Dilek qual o ônibus que eu deveria tomar para ir e voltar  de Alsancak e onde era o ponto. Minha missão: comprar um SIM Card para o meu celular e comer algo. É incrível como a idéia de realizar essa simples tarefa soava para mim como uma grande aventura! A primeira de muitas! Por isso minha atitude tinha que ser ótima, tudo ia dar certo!

É de conhecimento de todos que quando estamos em outro país perdemos alguns pontos de QI. Pois bem, já errei o caminho para achar o ponto de ônibus (que era a 2 quadras de distância da minha casa) e fui parar em uma rua estranha, vazia, só vinha uma mulher meio de longe. Com meu guia de conversação em mãos e um bilhete que dizia Otobus 349 eu fui tentar me comunicar com a moça.

Eu sabia Otobus 349 e sabia que Nerede significa Onde. Perfeito: Otobus 349 nerede?? Meu sotaque devia ser terrível! A pobre moça não entendeu nada e não falava nada de inglês (alí quase ninguém falava), mas vi que queria me ajudar, então mostrei o papel com o nome do ônibus, ela sinalizou que a seguisse, eu fui. Quando estamos fora e sozinhos, frequentemente não há outra opção a não ser confiar na bondade de estranhos.

Ela me levou até o ponto e me passou para outra gentil babá que também não falava nada de inglês, mas que pelo o que entendi também iria  para Alasancak. Entramos juntas no ônibus e mostrei a a nota que Dilek havia feito de onde deveria descer: Alsancak Cami (Mesquita de Alsancak), o motorista me mostrou e desci junto a 60% dos passageiros.

Eu havia conseguido! Pelo menos uma parte da missão! Depois só caminhei por Kordon, absorvendo o jeito diferente das pessoas, minha nova cidade, o mar, as bandeiras Turcas, era irreal estar alí. Era tanto para absorver que eu esqueci de comer. Eu estava faminta!! Minha ultima refeição havia sido no avião, precisava tentar me comunicar e comprar algo para comer. Ainda não conhecia nenhuma comida turca... não sabia o que pedir então fui na opção mais segura: pizza Dominos. Sempre via o Joey em Friends comer, então já poderia experimentar.

Apontei para a pizza e disse one please, o inglês do turco para variar era super básico e o cara entendeu por mímicas que eu queria uma pizza. Qualquer pizza! Só quera comer. Veio a pizza mais apimentada que eu comi na vida! Mas era o que tinha para o dia. Eu vi que teria que aprender o turco básico rápido, pelo menos para poder fazer coisas simples como pedir informações e ir a restaurantes.

Mas minha missão não foi completa, precisava apresentar meu passaporte para comprar um SIM Card e eu havia deixado o meu em casa. De qualquer forma valeu pelo passeio!


27 de Novembro de 2012 - A Viagem



A viagem de São Paulo, dia 27 de Novembro, até Izmir levou cerca de 24 horas ( 15 só de voo).

Até esse dia o mais longe que eu havia ido era até Lima, Peru e mesmo assim ainda era mais similar ao Brasil, ao menos em língua do que a Turquia. Chegando em Izmir, já era meia noite o que significava nenhum transporte público, um pessoal da AIESEC ficou de me receber no aeroporto e me levar até minha próxima morada de taxi. 

Minhas primeiras impressões do aeroporto é que poderia ser comparado ao nosso aeroporto de Viracopos em Campinas (antes da reforma), pequeno, mas bem organizado. Cheguei com duas malas enormes! Mal as conseguia carregar e o pessoal da AIESEC ainda não estava lá. Nossa comunicação já havia sido muito dificil, então sendo a pessimista que sou já comecei a pensar que ninguém viria me encontrar e eu teria que dormir no aeroporto! Depois eu viria a descobrir que os turcos operam como os brasileiros, no tempo deles, então atrasos são comuns.

Meia hora depois de esperar no aeroporto em que quase ninguém falava inglês, dois rapazes da AIESEC chegaram e um peso foi retirado dos meus ombros, literalmente! As malas estavam muito pesadas! Os rapazes era muito simpáticos e embora falassem um inglês muito básico - um prelúdio de como seria a comunicação em inglês por lá - conseguimos nos entender e pegar o táxi para minha nova casa.

O taxi demorou um bocado para chegar, estava exausta e ao mesmo tempo animada por estar ali finalmente! Fomos tentando nos conhecer com o pouco de turco que eu havia estudado antes de ir e o inglês que eles queriam praticar. O táxi estava passando por umas quebradas muito estranhas! Ruas escuras e esburacadas. Um carro de polícia começou a nos seguir e sinalizou para o nosso carro parar. Paramos, o taxista falou com explicou que eu era estrangeira e estavamos indo para minha casa porque eu havia chegado do Brasil agora. O policial voltou ao seu carro, conferiu as informaçoes, falou de novo com o taxista, de novo no radinho e eu ali sem saber o que fazer! Demorou uns 10 minutos, mas ele nos deixou continuar. "Policiais loucos" o taxista dizia enquanto subíamos a ladeira que com o tempo se tornaria tão familiar para mim.
Depois de umas semanas descobri pelo o que meus colegas de trabalho diziam que meu bairro era muito perigoso, "bairro de ciganos" diziam com ar de preocupação e preconceito; Por isso a polícia checava todos os carros com mulheres depois da meia noite. Imagino que uma brasileira aparecer por ali deve ser sido algo inusitado.

Meu prédio era um dos últimos no morro, era uma ladeira tremenda para chegar até lá! As ruas estavam desertas e escuras, realmente parecia perigoso, mas confiei que o pessoal da AIESEC  não me colocaria em uma fria muito grande. 

Como muito azar é coisa pouca o elevador de meu prédio tambéme stava quebrado... e meu apartamento era no sexto andar. A viagem não acabava nunca! levamos as 2 malas de mais ou menos 20 quilos cada escadas, os meninos estavam quase morrendo quando chegamos na porta. Minha flatmate estava doente, então o pai dela (que a estava visitando) quem me recebeu sem falar uma palavra em inglês. Me acomodei em meu quarto e dormi por umas 15 horas até o meu primeiro dia oficialmente em Izmir.